Eleições Municipais
A imagem percebida do candidato
Nas eleições democráticas, com a disponibilidade da televisão para a apresentação dos candidatos aos cargos majoritários (Prefeito e Vice-Prefeito, o que valem são os corações, mentes e bolsos dos eleitores. Que são os fatores pessoais e internos que levam ao voto, à escolha do seu candidato diante da urna.
Toda a campanha deve ser voltada para a conquista desses corações e mentes e, como já colocamos, abaixo, a primeira e fundamental condição é a empatia.
Nas capitais, onde o número de eleitores supera a casa do milhão de eleitores, não há possibilidade de uma relação pessoal direta.
Mas um candidato, com muitos quilometros rodados na politica local, com forte atuação na área social tem um histórico de relações diretas com parte significativa do eleitorado. O que gera uma simpatia ou antipatia pela percepção real.
As candidatas, nesse quesito, parecem levar vantagem, por ter uma imagem diferenciada no meio de tantos candidatos.
Principalmente aquelas que tem um histórico de ação social, atuando como vereadoras e subindo na carreira política, como Jô Moraes (com uma trajetória semelhante a de Luiza Erundina, paraibana como ela), em Belo Horizonte, Manuela D'Ávila, em Porto Alegre e Jandira Feghali no Rio de Janeiro. Não por acaso, todas do PC do B.
Em Porto Alegre, mais duas outras candidatas, todas de esquerda, disputam a eleição, com um bom posicionamento nas pesquisas. Já no Rio de Janeiro, Solange Amaral, com apoio do atual Prefeito, tem um desempenho pior. O que demonstra que não basta ser mulher, para ser vista com maior simpatia pelos eleitores.
O pior é ser visto ou percebido como antipático. Esse é o maior problema de Gilberto Kassab em São Paulo. O que faz com que apesar de ser o Prefeito atual, com uma grande circulação pela cidade, inaugurando obras, fazendo promessas não sai de um patamar de preferência de cerca de 12% dos entrevistados nas pesquisas.
Com um grande tempo na televisão, terá oportunidade de reverter a sua imagem, desde que não erre na Campanha.
Os indícios são de que a sua imagem negativa decorre de uma "subserviência" a Serra. Ser um aliado fiel a Serra, que o levou à Prefeitura, não é percebido como elemento positivo. Serra continua tendo uma boa aceitação. Se o Datafolha ou qualquer outro instituto de pesquisa conjugar o levantamento das preferências para Prefeito com o para Presidente, na cidade de São Paulo, seguramente José Serrá levará uma grande vantagem, sobre todos os demais. Mas se cruzar as informações se verá que grande parte dos eleitores de Serra não indicarão Kassab, como seu preferido.
Será uma indicação de que Serra tem votos, mas não os transfere para Kassab.
O eleitor paulistano parece querer um Prefeito com personalidade própria. Acha importante o relacionamento e o apoio do Governo Federal ou do Governo Estadual. Mas não quer um preposto, um interventor, ou um "capacho": "faço tudo o que o mestre mandar!".
O mesmo problema terá Márcio Lacerda em Belo Horizonte. Ele terá que firmar uma imagem própria, em que os apoios de Fernando Pimentel e Aécio Neves são importantes, mas não pode extrapolar de um limite em que ele pareça um "pau mandado".
O que importa não é o que o candidato é, mas o que ele parece ser. A imagem que ele passa para o eleitor.
Gostemos ou não, será a maior ou menor competência do marketing político na composição da imagem do candidato que irá ser o principal fator de definição das eleições municipais, nas grandes capitais.
A disponibilidade de tempo é importante, mas se não for bem usada, só contribuirá para consolidar a imagem negativa.

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Escrito por Jorge Hori às 06h46