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Inteligência Estratégica - Jorge Hori

Politica e Governo



Eleições Municipais

A imagem percebida do candidato

Nas eleições democráticas, com a disponibilidade da televisão para a apresentação dos candidatos aos cargos majoritários (Prefeito e Vice-Prefeito, o que valem são os corações, mentes e bolsos dos eleitores. Que são os fatores pessoais e internos que levam ao voto, à escolha do seu candidato diante da urna.

Toda a campanha deve ser voltada para a conquista desses corações e mentes e, como já colocamos, abaixo, a primeira e fundamental condição é a empatia.

Nas capitais,  onde o número de eleitores supera a casa do milhão de eleitores, não há possibilidade de uma relação pessoal direta.

Mas um candidato, com muitos quilometros rodados na politica local, com forte atuação na área social tem um histórico de relações diretas com parte significativa do eleitorado. O que gera uma simpatia ou antipatia pela percepção real.

As candidatas, nesse quesito, parecem levar vantagem, por ter uma imagem diferenciada no meio de tantos candidatos.

Principalmente aquelas que tem um histórico de ação social, atuando como vereadoras e subindo na carreira política, como Jô Moraes (com uma trajetória semelhante a de Luiza Erundina, paraibana como ela), em Belo Horizonte, Manuela D'Ávila, em Porto Alegre e Jandira Feghali no Rio de Janeiro. Não por acaso, todas do PC do B.

Em Porto Alegre, mais duas outras candidatas, todas de esquerda, disputam a eleição, com um bom posicionamento nas pesquisas. Já no Rio de Janeiro, Solange Amaral, com apoio do atual Prefeito, tem um desempenho pior. O que demonstra que não basta ser mulher, para ser vista com maior simpatia pelos eleitores.

O pior é ser visto ou percebido como antipático. Esse é o maior problema de Gilberto Kassab em São Paulo. O que faz com que apesar de ser o Prefeito atual, com uma grande circulação pela cidade, inaugurando obras, fazendo promessas não sai de um patamar de preferência de cerca de 12% dos entrevistados nas pesquisas.

Com um grande tempo na televisão, terá oportunidade de reverter a sua imagem, desde que não erre na Campanha.

Os indícios são de que a sua imagem negativa decorre de uma "subserviência" a Serra. Ser um aliado fiel a Serra, que o levou à Prefeitura, não é percebido como elemento positivo. Serra continua tendo uma boa aceitação. Se o Datafolha ou qualquer outro instituto de pesquisa conjugar o levantamento das preferências para Prefeito com o para Presidente, na cidade de São Paulo, seguramente José Serrá levará uma grande vantagem, sobre todos os demais. Mas se cruzar as informações se verá que grande parte dos eleitores de Serra não indicarão Kassab, como seu preferido.

Será uma indicação de que Serra tem votos, mas não os transfere para Kassab.

O eleitor paulistano parece querer um Prefeito com personalidade própria. Acha importante o relacionamento e o apoio do Governo Federal ou do Governo Estadual. Mas não quer um preposto, um interventor, ou um "capacho": "faço tudo o que o mestre mandar!".

O mesmo problema terá Márcio Lacerda em Belo Horizonte. Ele terá que firmar uma imagem própria, em que os apoios de Fernando Pimentel e Aécio Neves são importantes, mas não pode extrapolar de um limite em que ele pareça um "pau mandado".

O que importa não é o que o candidato é, mas o que ele parece ser. A imagem que ele passa para o eleitor.

Gostemos ou não, será a maior ou menor competência do marketing político na composição da imagem do candidato que irá ser o principal fator de definição das eleições municipais, nas grandes capitais.

A disponibilidade de tempo é importante, mas se não for bem usada, só contribuirá para consolidar a imagem negativa.



Escrito por Jorge Hori às 06h46
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Eleições Municipais

O que dizem as pequisas?

O Datafolha divulgou uma nova rodada de pesquisas de intenções de votos, incluindo novas capitais.

Uma primeira leitura do conjunto de pesquisas indica alguns elementos significativos, sempre partindo da perspectiva dos eleitores.

  1. Quando os eleitores estão, efetivamente, satisfeitos com a gestão do Prefeito atual, ele dispara na preferência, como é o caso de Beto Richa, em Curitiba, onde seria eleito com 72% dos votos, em primeiro turno.
    • Na avaliação da sua administração 79% dos entrevistados o desempenho de Richa é otimo ou bom (mantendo o alto nível, constado em novembro de 2007) e ele próprio tem uma avaliação média de 7,6 (numa escala entre 0 e 10).
    • Na consulta espontânea ele é lembrado e preferido por 45% dos eleitores, o que inidica um elevado conhecimento e "recall", pela sua aceitação.
    • O eleitorado de Curitiba está satisfeito com a administração de sua cidade e com o seu Prefeito e não quer mudar.
    • A consulta espontânea capta uma primeira e pouco trabalhada reação do entrevistado.
  2. Quando a aceitação não é consenso ou hegemônico, a divisão do eleitorado em relação à administração atual e seu Prefeito, gera situações distintas:
    • em Porto Alegre, o atual prefeito José Fogaça aparece em primeiro lugar, mas com um índice pouco seguro (25%) e com uma avaliação de sua administração apenas como regular (45% dos entrevistados). Para apenas 30% a sua administração é boa ou ótima, e 25% acham ruim ou péssima.
    • Na pesquisa espontânea é lembrado por apenas 12%, com 61% que afirmaram ainda não saber em quem vão votar.
    • A sua liderança decorre da divisão da oposição, com três candidatas de esquerda, que somadas tem 46% da preferência, na pesquisa estimulada.
    • O Datafolha não apresentou os resultados de um eventual segundo turno mas, no momento atual, Fogaça provavelmente perderia para Mária do Rosário ou para Manuela D'Avila.
  3. Em Salvador o atual Prefeito João Henrique em uma avaliação apenas regular, opinião de 46% dos entrevistados. Apenas 16% acham a sua administração boa ou ótima. 35% afirmam que o seu trabalho desenvolvido é ruim e péssimo, um pouco abaixo do índice de rejeição (38%).
    • Ademais ele enfrenta dois candidatos fortes e conhecidos. Imbassahy foi prefeito e derrotado pelo atual na eleição anterior e ACM Neto, além de conhecido taz o nome do avó (o que é marcante, tanto a favor como contra);
    • na pesquisa espontânea o atual Prefeito é lembrado por apenas 7%, menos que Fogaça (12%) e muito abaixo de Beto Richa (45%);
    • Pelos dados atuais, João Henrique não chegará ao segundo turno, por não ter agradado ao eleitor.
  4. Em São Paulo a situação é mais complexa. Gilberto Kassab não consegue sair do patamar médio de 12% e, dificilmente, chegará ao segundo turno.
    • A população não está insatisfeita com a Administração Kassab. 35% dos entrevistados avalia a sua administração como ótima e boa e 37% como regular.
    • Mas entre os satisfeitos, 38% dizem votar em Alckmin e apenas 25% em Kassab. Um pouco acima dos que dizem votar em Marta (22%).
    • Ou seja, estão satisfeitos mas preferem Alckmin à continuidade de Kassab.
    • O seu pior indicador está no voto espontâneo: apenas 7%. Como é o atual Prefeito, a primeira reação do entrevistado não lhe é favorável. O que significa que não tem uma boa imagem, ou nem tem uma imagem, uma identidade forte. A sua dependência a Serra pode ser um fator mais negativo que positivo. Pode ser a "sindrome Pitta".
    • O seu índice de rejeição (31%) é superior aos que consideram a sua administração ruim ou péssima (25%), alcançando, pois, os que a consideram regular.
  5. A relação do eleitor com o candidato é cada vez mais pessoal e não política.
    • dessa forma o primeiro fator é a empatia: simpatia ou antipatia.
    • Kassab não é percebido como simpático. É percebido como antipático.
    • Não se coloca aqui se ele é ou não. Mas como é percebido pelos eleitores.
    • a empatia negativa parece ser o principal fator que faz com que ele fique preso no congestionamento eleitoral, e
    • Uma suposição é que ele é visto como "pau-mandado de Serra", um "laranja", um "preposto", sem identidade própria.
    • É uma situação diferente de Marta. Que tem identidade própria e é apoiada por Lula.
    • Kassab não seria apenas apoiado por Serra, mas um preposto, e o eleitor não quer o intermediário.



Escrito por Jorge Hori às 08h07
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