Brasil Novo

Brasil novo ou novo Brasil?

O especial da Veja desta semana traz duas novas facetas de um Brasil do Terceiro Milênio, muito diverso do Segundo.

Uma parte ("As novas fronteiras dos bilhões") mostra oito das principais compras feitas por empresas brasileiras no exterior, culminando com a aquisição da Anheuser-Busch (Budweiser) pela InBev, da qual a AmBev é sócia, dirigida pelo grupo brasileiro.

A segunda parte ("Os oitos motores do desenvolvimento") mostra "as cidades que souberam converter surtos de riqueza em progresso social".

A partir de uma análise de 500 municipios, com mais de 10 mil habitantes que mostraram maiores taxas de crescimento do PIB, a partir de 2000, a revista buscou aquelas que tinham apresentado maior progresso social.

Algumas não conseguiram transformar a renda gerada no Município em melhoria das condições de vida da sua população.

Onde não ocorreu a correspondência entre o progresso econômico e social houve desvio dos recursos. Seja de recursos públicos, como no caso de royalties de petróleo, ou dos "donos do dinheiro".

Quando os geradores de renda moram na própria cidade, aquela se multiplica na própria localidade, gerando mais trabalho e mais renda.

Quando os "donos do dinheiro" moram fora da cidade, tendo o local da produção apenas o sítio gerador de renda que vai ser aplicado em outra região, não há o desenvolvimento local.

Essa é a diferença fundamental, mesmo dentro do agronegócio, entre a soja e a pecuária. Na soja, a presença do fazendeiro é mais necessária. Na pecuária menos. Nesse último o pecuarista pode morar nas capitais. A renda gerada pela produção dos bois é concentrada nas fases à jusante da criação. Essa usa pouca mão-de-obra e não multiplica a riqueza nos locais.

O Pará é hoje um grande estado criador de bois. Mas praticamente não há cidades que atenderam aos dois requisitos da revista em conjugar o crescimento econômico com o desenvolvimento social.

Quando se sabe que o principal produtor é o Grupo de Daniel Dantas, pode ser que a explicação esteja ai.