 |
Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, Mais de 65 anos, hori@macbbs.com.br
|
Histórico
Categorias
Todas as mensagens
Evento
Citação
Politica e Governo
Futuro do Brasil
Desenvolvimento Sustentável
Economia, Administração, Empresa
Engenharia, Urbanismo...
Votação
Dê uma nota para meu blog
Outros sites
Educação e Arte
Cenários - São Paulo
Cakiaqui
Clara Hori
blog das bases empresariais
Blig do Tão
Sustentabilidade Inteligente
Comunidade da Inovação
Blog do Tunico
PNBE
Escritos Esparsos
Esta desabalada carreira
Tem Notícia
Politic
Santos Passos
Boitatá
Alimento para Pensar
Blog da Gloria - Leopoldina MG
|
 |
 |
|
|
| |
índice da semana

06 a 12 de janeiro de 2008
12 de janeiro de 2008
- Apagão elétrico: riscos crescentes
- Transposição do São Francisco: Fora da "lista negra"
11 de janeiro de 2008
- Transposição do São Francisco: Empreendimento econômico ou social?
10 de janeiro de 2008
- Carro Popular: quem compraria um "pé-de-boi"?
09 de janeiro de 2008
- José Dirceu: para quem são os recados?
08 de janeiro de 2008
- Transposição do São Francisco: O que é o empreendimento?
07 de janeiro de 2008
- "Pontes": quem trabalha (e não trabalha) nas pontes?
06 de janeiro de 2008
- Turismo sustentável: Onde passar as férias?
Escrito por Jorge Hori às 05h40
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
Apagão elétrico
Riscos crescentes O Brasil tem um sistema elétrico, fortemente concentrado na geração hídrica. Por isso depende de um parque de usinas hidroelétricas e de represas para estocar a água. Que por sua vez dependem de São Pedro. De ter mais ou menos chuvas. As chuvas são intermitentes. O consumo de energia é constante (apesar de picos e vales diários e sazonais), dai a necessidade de reservar a água para garantir o suprimento. As represas são enchidas na época das chuvas e vão sendo esvaziadas no período subsequente, com o gasto da água para gerar energia, até que chegue a nova época das chuvas para reencher o reservatório: e garantir o suprimento continuado de energia. Há uma defasagem na construção de novos reservatórios e usinas geradoras de hidroeletricidade, necessárias para atender ao aumento sucessivo da demanda, em função de restrições ambientais. Quando o nível de água das represas cai demasiadamente o líquido remanescente pode não ser suficiente para girar as turbinas. Com isso as máquinas param e não há geração de energia. O suprimento é prejudicado, leva ao corte de energia, ou seja, o "black out" que a mídia logo apelidou de "agapão". Do lado da oferta, dado o demorado prazo para a construção de uma usina hidroelétrica e encher a represa, a alternativa é de usinas termoelétricas. Que, no entanto, dependem do suprimento do gás ou do diesel. As fontes alternativas para energia ainda tem participação marginal. O sistema elétrico brasileiro é hoje fortemente interligado e gerenciado, com o monitoramento do nível das represas, previsões de chuvas e utilização (ou não) das usinas termoelétricas. O racionamento ou "apagão" é um fato político relevante, pois para a população caracteriza uma (im)previdência e uma (in)competência. O governo de plantão, sempre diz que o risco não existe e que está tomando todas as providências. A oposição sempe fustiga o governo. No meio disso, as entidades de Estado, como a agência reguladora, mostram uma realidade e apontam para os riscos. Em 2000 o quadro era semelhante ao atual (2007). As chuvas foram fracas e o nível dos reservatórios baixo. Ao longo de 2001, avizinhou-se um risco de "apagão" em 2002. Que, ademais era ano eleitoral. O Ministério de Energia era parte do loteamento político, sendo feudo de ACM. O papel dos Ministros não era gerenciar o sistema elétrico brasileiro, mas anunciar sempre que não havia risco. Como agora em 2008. Quando o risco ficou iminente foram tomadas diversas providencias emergenciais para evitar um problema que não aconteceu. Apesar da impressão que ficou não chegou a haver um apagão, mas medidas preventivas de racionamento e racionalização. Montou-se às pressas um parque de termoelétricas e a aquisição pulverizada de geradores a diesel, que acabaram não sendo utilizadas: porque em 2002 choveu dentro do previsto. São Pedro deu um susto, mas acabou cumprindo com a sua obrigação. Mesmo com chuvas menores, não há risco de "apagão" em 2008, mas poderá ocorrer em 2009, considerando a tendência de aumento da demanda e se não forem implantadas alternativas de suprimento adiconal de energia. Para evitar o "apagão" em 2008 (novamente um ano eleitoral) será baixado mais o nível das represas, com um alto risco para 2009. Há alternativas, mas todas de um custo mais alto que o da geração hidroelétrica. Alguns, com alto custo politico. A primeira é o uso das termoelétricas a gás. Mas não haverá gás para todas as demandas. Algumas terão que ser substituidas, como nas indústrias, pelo diesel. Que poderá estar muito caro, em função do preço do petróleo. De toda forma, haverá uma liberação (em relação ao consumo atual) de cerca de 840 milhões de litros, com a entrada do biodiesel. Um pequeno refresco. No caso do gás, não houve imprevidência ou falta de planejamento. Ao contrário, o consumo atual do gás é fruto de um planejamento e de políticas públicas para incentivar o uso do gás natural. Foi com o objetivo de consumir o gás da Bolivia, que se pagava, usando ou não. Incentivou-se o uso do gás veicular. Reduziu o seu uso passou a ser um problema político. O não se contou foi com a redução do suprimento, risco sempre colocado pelos críticos do projeto. Com uma diferença: os que criticavam antes estão agora no governo e os que defendiam estão na oposição. Confiando no suprimento boliviano, a Petrobrás retardou os investimentos na ampliação da produção do gás nacional, assim como na importação do gás natural líquido. Esse parece estar garantido para 2009. Mas poderá ser insuficiente para um aumento de demanda maior com o crescimento econômico. O problema está em adotar ou não medidas preventivas para racionalizar o uso. Alguns acharão que isso é recohecer o problema e uma demonstração de incomeptência do governo atual. O marketing político refuta terminantemente qualquer medida preventiva. Para eles (com toda razão) "apagão elétrico" não é a ocorrência efetiva de "blackout", mas a sensação social de haverá falta de energia. O caso atual da corrida aos postos de saúde para vacinação contra a febre amarela é um caso típico. Pode não haver uma epidemia de febre amarela. E não haverá - em função da vacinação em massa. Mas o desgaste do governo já se tornou irremediável. O que importa políticamente não é a epidemia real, mas a versão. Os órgão tecnicos recomendam as medidas de racionamento de energia. Os políticos tenderão a evitar. Risco de apagão em 2008 não existe, ainda que colocando em risco 2009. Não existe em 2008 porque o governo usará o máximo de suas reservas para atender a eventual contingência de falta de água nos reservatórios, comprometendo 2009. Se em 2009 não chover o previsto, poderá haver - efetivamente - um colapso no sistema. A esperança é que os empreendimentos em curso, como a ampliação dos gasodutos, a regaseificação do gás natural importado, novas usinas hidroelétricas (ainda que de médio porte) venham a ser concluidas em 2008/2009. O que o setor elétrico, mais precisa, nesta fase é de competência. Diante disso será que vale a pena colocar o lobão tomando conta dos cordeirinhos?
Categoria: Engenharia, Urbanismo...
Escrito por Jorge Hori às 05h28
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
Transposição do São Francisco
Fora da "lista negra"
As ONGs ambientalistas fazem parte de uma tribo mundial, que se auto assumem como defensores do planeta e, volta de meia, fazem "listas negras" para combater determinados empreendimentos. São listas desenvolvidas segundo critérios pouco ou pseudo científicos, baseados mais em impressões parciais do que em dados científicos.
Ou ainda na defesa de supostas minoriais ou espécimes em extinção, que tem repercussão junto à opinião publicada. É puro marketing.
Agora, o Valor Econômico na sua edição de 10 de janeiro de 2008 (pg A4) dá espaço a um conjunto de desconhecidas (para o público geral) ONGs que elaboraram uma lista negra de empreendimentos que prejudicariam o ambiente, tendo as hidroelétricas e as fábricas de celulose, como os principais alvos.
Caracterizam como projetos emblemáticos, o que quer dizer "marketing". Faz parte do marketing ambientalista.
Como tal, o que interessa é a impressão, a versão.
O Brasil, aparece com três projetos, emblemáticos, porque tiveram grande repercussão na mídia: as usinas do Madeira, a fábrica de celulose da Aracruz e um pequeno empreendimento no Pará, porque foram encontrados trabalhadores em condições similares à escravidão.
Por serem emblemáticos, os defensores do empreendimento da transposição do São Francisco poderão usar a "lista negra" para dizer que o seu projeto não está incluido. Portanto, não é considerado pelos "amigos da Terra", como agressivo ao meio ambiente ou social.
As "listas negras" podem chamar a atenção sobre alguns projetos, mas trazem o vício de liberar outros tantos. Ademais "lista negra" passou a ser politicamente incorreta.
Categoria: Desenvolvimento Sustentável
Escrito por Jorge Hori às 05h05
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
Como entender a transposição do São Francisco
http://cndpla.blog.uol.com.br
Data: 13/02/2008 - Hora: 19:00
Local: ADVB - Rua 13 de maio, 1413, São Paulo - Capital
O evento se propõe a esclarecer o que é realmente o empreendimento da transposição das águas do São Francisco, e as diversas contestações ao mesmo, de forma que as pessoas possam tomar as suas posições, melhor informadas.
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Hori às 04h26
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
Transposição do São Francisco
Empreendimento econômico ou social?
O empreendimento de transposição das águas do Rio São Francisco pode ser caracterizado como econômico ou social.
Como empreendimento social não visa retorno econômico, mas atender às populações carentes nas suas necessidades básicas, no caso, a água e os alimentos.
Há que se distinguir, nessa população carente, os que moram em cidades e os que estão na área rural, de forma dispersa.
Os que estão nas cidades tem como necessidade básica a água, para dessedentação e higiene. A não ser em casos excepcionais, a água não é para eles um fator de produção. De outra parte, a densidade territorial gera escala para a implantação da rede de distribuição, podendo ter acesso à água canalizada. Os mecanismos usuais de subsídios cruzados permite que possam se beneficiar de tarifas menores, subsidiadas.
A água que pode chegar às suas casas tem um custo que inclui a rede de distribuição, as estações de tratamento, o transporte a partir da captação, que pode ser em outra bacia (ou seja, mediante transposição das águas), os custos de operação e manutenção dos sistema hídrico e os custos administrativos e financeiros.
Já a população rural, com ocupação difusa precisa da água, além do seu consumo pessoal, para a produção agrícola e dessedentação animal. A água é também um fator de produção, para as atividades de subsistência, ou para produção para o mercado.
Mesmo servindo como fator de produção, pelo caráter de subsistência em baixas condições econômicas, o suprimento da água pode ser gratuita, ou subsidiada.
Dentro da perspectiva social, não havendo retorno econômico, o empreendimento terá que ser inteiramente financiado com recursos de origem tributária, ou de doações privadas.
A oposição ao projeto na sua dimensão social parte da sua eficácia. A contraposição se baseia no volume de recursos alocados ao empreendimento, com origem tributária, vale dizer, através de verbas do orçamento geral da União.
Os opositores do empreendimento entendem que a aplicação dos mesmos recursos em projetos menores, mais difusos atenderão melhor e a mais pessoas necessitadas de água e outros fatores, do que através do mega empreendimento da transposição. Que é caracterizada também como "faraônico".
Até porque o empreendimento como concebido não alcança a população pobre que precisa de segurança hídrica. É um empreendimento linear e o atendimento à população difusa precisa ser espacial. Ainda que vá alimentar outros reservatórios, a água precisará sair desses para chegar a população. E as redes atendem às populações concentradas, não às territorialmente difusas.
A transposição como empreendimento econômico
O empreendimento, tem um produto - a água - que na perspectiva econômica, deve ser vendida e gerar receita suficiente para remunerar o investimento realizado e ainda amortizar o mesmo.
O consumidor final residencial deve ter renda para poder pagar a água consumida. Em geral, estará nas regiões metropolitanas, de tal forma que a água transferida do São Francisco deverá chegar a elas. A principal a ser atendida é a de Fortaleza.
A transferência de custos é genérica. O Ministério da Integração que tem o direito de captação deverá pagar ao Comitê da Bacia pela água retirada. E transferirá esses custos, mais o da remuneração do investimento, a operação e manutenção à empresa estadual / municipal, que tem a concessão da distribuição na área urbana. E diluirá o custo na tarifa. Ou seja, o eventual aumento de custos será distribuido entre todos os consumidores.
Se destinado a atividades econômicas, essas deverão ter receitas suficientes para pagar a água, como fator de produção e ainda conseguir rentabilidade.
Essas atividades, no setor agrícola, são os viabilizados pela irrigação, seja para a produção primária ou para grandes aumentos de produtividade. Podem ser desenvolvidos por grandes empreendimentos ou pela agricultura familiar, em grupamentos, cooperativados ou não. Envolvem os grãos, como as frutas.
A água é fundamental para a pecuária, uma das bases tradicionais da região, mas agora entrando com a produção empresarial em grande escala. O Brasil e suas empresas estão se tornando o principal "player" mundial do setor e a pecuária, com segurança hídrica, poderá ser uma das grandes fontes de renda e de trabalho da bacia do São Francisco. Os indícios estão na implantação de modernos frigoríficos na região. Quando emergirem, serão alvo de contestações dos ambientalistas, em função da poluição das águas.
A segurança hídrica é ainda importante para o desenvolvimento da acquicultura, seja de camarões, como de peixes, ambos voltados para o mercado mundial.
Um dos principais confrontos na questão da transposição do São Francisco está no modelo econômico para a região.
Os mais radicais defensores da destinação prioritária dos recursos para a revitalização do vale do São Francisco, tem a perspectiva social, apoiando o suprimento de água para as famílias, na suposição de que com esse líquido elas poderão melhorar a sua condição de vida. Ou apoiando a continuidade das atividades pesqueiras dos moradores ribeirinhos. É uma defesa do "velho Chico" que de há muito não existe, depois que o rio foi transformado num grande sistema hídrico para geração de energia elétrica. No fundo há ainda uma resistência ao modelo capitalista.
Os mais pragmáticos mostam que a água não é suficiente para gerar a riqueza, alguns citando o caso do vale do Jequitinhonha, que não sofre de carência crônica de água, mas não se desenvolveu.
Os que tem uma visão ainda social, defendem o desenvolvimento da agricultura familiar, com a formação de cooperativas.
Não há expressamente os que defendem o modelo empresarial de porte, na realidade, o modelo capitalista. Esses não fazem discursos, agem. E já há na região, grandes empresas que estão mudando a estrutura produtiva.
O governo não assume, mas é a favor desse modelo, porque percebe que somente esse poderá dar alguma viabilidade econômica ao empreendimento. Mas o mascara com o sentido social.
O que não consegue convencer os oponentes ao empreendimento. Que acusam o governo de implantar um projeto que irá beneficiar poucos: exatamente os empreendedores capitalistas, além dos tradicionais donos das terras.
Para os empreendedores capitalistas do agronegócio, a caracterização social do empreendimento poderá dar a eles uma água subsidiada.
Se o Governo assumir a dimensão econômica do empreendimento poderá obter maior retorno e poderá ainda praticar os subsídios cruzados. Se mantiver a máscara social, ai sim é que irá favorecer poucos, com a água subsidiada, com os custos cobertos pelos recursos orçamentários.
Além do suprimento da água para o agronegócio e para as populações urbanas, o empreeendimento da transposição objetiva a segurança hídrica da indústria. Principalmente da grande indústria que se pretende instalar no polo cearense junto ao porto de Pecém:o complexo industrial portuário.
Com a segurança hídrica, o Ceará pretendia sediar a refinaria de petróleo do Nordeste, mas acabou perdendo para Pernambuco. Mas tem outros projetos de grande porte como uma siderúrgica, que deveria ser a gás. Será a carvão mineral. A siderúrgica poderá ser a base para um polo metalúrgico.
Com o empreendimento da transposição, alimentando os reservatórios já existentes no Ceará, principalmente o Castanhão, o suprimento hídrico da região metropolitana de Fortaleza estará fisicamente assegurado, para atrair as indústrias.
Mas, como empreendimento econômico, essa água - provavelmente - ficará muito cara, para dar competitividade ao polo cearense.As novas indústrias tem outras opções de localização.
Dai a caracterização do empreendimento da transposição das águas do São Francisco como social. O que fará com que grande parte dos investimentos seja realizado a fundo perdido. Os custos da água não incluirão a remuneração do capital ou a própria amortização do capital. Os custos que incidirão sobre a tarifa serão os de operação, manutenção e administração.
Categoria: Economia, Administração, Empresa
Escrito por Jorge Hori às 04h16
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
Carro Popular
Quem compraria um "pé-de-boi"? A empresa indiana Tata anunciou a produção de um carro popular que custaria US$ 2.500,00. Seria um veículo, com um motor mais fraco e inteiramente despojado de acessórios. O marketing faz acreditar que isso será viável e será uma revolução na indústria automobilística mundial. Só falta "combinar com os russos". Essa é sempre a questão maior. Os "russos" são os compradores. Se fosse mirar na experiência brasileira, veria que não deu certo. Nos anos sessenta, para ampliar o mercado foram lançados carros populares depojados, do qual o principal foi um fusca "pelado", logo apelidado de pé-de-boi. Foi um tremendo fracasso. A experiência foi logo abandonada. O consumidor quer um carro "cheio". Carro de pobre não vendeu. Mais tarde, Itamar tentou relançar o Fusca, como o carro popular, com valor de US$ 7.500,00. Lançou o carro 1.0 que foi um sucesso. Mas não pelo preço básico. O mercado passou a consumir o carro 1.0, com benefícios fiscais, mas incrementado. Com valor acima de US$ 10.000,00. Hoje no mercado brasileiro vende-se carro 1.0 a mais de US$ 20.000,00. O que importa para o consumidor é um bom produto, vistoso, com uma prestação que caiba dentro da sua renda mensal. Carro barato, para o povo, é o terceira, quarta mão, que fica dentro da faixa dos US$ 2.500,00. Num mercado relativamente maduro, como é o brasileiro, o comprador preferirá um carro incrementado, usado, do que um novo despojado. O carro popular da Tata não terá saída no Brasil. Pode ser que na Índia consiga. Na China, não conseguirá, dada a pressa de emergência da sua classe média. O mercado de "semi-novos" inviabiliza o carro novo despojado. Não será uma revolução, como não o foi a Romi-Iseta, o Pé-de-boi. Ou o Lada de Collor. (Nem mesmo o carro sendo russo, convence os "russos"). O problema do carro não é o preço. É o status: em todas as camadas sociais. Automóvel é marca, é imagem. Só uma comparação: o famoso laptop de U$ 100,00 estará sendo comprado pelo governo brasileiro a mais de U$ 200,00. Planilha de laboratório é uma coisa. Planilha de custos reais é outra. Na prática não haverá carro de US$ 2.500,00. Ai vai se por a culpa nos chineses que inflacionam o preço do aço. O sonho de ter um carro novo de menos de R$ 5.000,00 se esvai quando se vê o carro. Não é um carro: é só marketing.
Categoria: Economia, Administração, Empresa
Escrito por Jorge Hori às 06h44
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
José Dirceu
Para quem são os recados?
Um bom político nunca dá 'ponto sem nó". Nada faz ou nada diz que não contenha uma mensagem. Um recado, que nunca é para todos, mas destinado a pessoas que entendem a mensagem cifrada.
José Dirceu, ao se deixar acompanhar numa viagem e fazer diversas declarações à revista Piaui, mandou diversos recados, alguns decifrados pela mídia, outros nem tanto. Mas os destinatários receberam,entenderam e acusaram (ainda que não manifestas em público).
Dirceu faz uma mistura proposital entre "lulinhas", de tal forma que não se saiba quando está falando de um ou de outro. Mas os seus recados foram também para outros Luizes.
O problema para ele, para Lula e alguns outros poucos é poder. Para os demais petistas é emprego. Os petistas são tão ou mais fisiológicos que os peemedebisas, perristas e outros. Apenas mais discretos (alguns nem tanto) e consideram que o direito aos cargos é natural com a eleição de Lula. Aliás a pressão dos demais partidos por cargos é para substituir, na maioria dos casos, os petistas instalados nos mesmos.
Para esse segundo grupo, o problema de 2010, com a perspectiva de uma vitória tucana, é a perda dos empregos. Precisariam ganhar alguns estados importantes para poder abrigar uma parte dos desempregados. Os mais importantes, ligados a José Dirceu, poderão ter emprego junto aos seus "clientes". Os demais vão ter que "se virar". E esse é o maior receio.
Essa mesma lógica preside a escolha do candidato do PT para a Prefeitura de São Paulo. A sua maior importância está no volume de cargos em comissão e nas respectivas remunerações. Com não reeleição, alguns desempregados foram alojados no Governo Federal, que precisou aumentar os cargos "de confiança". Outros foram para as ONGs. Uns poucos conseguiram se manter.
A ida de Marta para o Ministério do Turismo, deu a ela um bom trabalho, onde ela pode fazer o que gosta, mas o Ministério tem poucos cargos e pouca verba para poder abrigar todos o seu grupo em cargos preenchidos sem concurso. O emprego pode não ser bom, mas ela não precisa de um bom salário.
Precisam voltar para a Prefeitura para poder garantir uma renda mensal, fora aqueles que querem muito mais que isso.
Dai a pressão para que ela saia candidata. E o quanto antes, para começar a campanha para assegurar a vitória.
Só que é preciso combinar com "os russos". Precisam do aval de Lula, e esse não será dado.
E provavelmente não o será, por influência do Zé, que tem uma desavença pessoal com o outro Luiz. Esse foi um dos recados, que poucos perceberam.
Categoria: Politica e Governo
Escrito por Jorge Hori às 05h01
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
Transposição do São Francisco
O que é o empreendimento?
O empreendimento, ora em curso, é um sistema hídrico com capacidade para retirada de até 127 m3/s das águas do Rio São Francisco, em dois pontos, para alimentar reservatórios em outras baciais hidrográficas.
São dois sistemas independentes:
- o eixo norte, que terá capacidade para retirada de 99 m3/s em Cabrobó, irá alimentar a bacia do Jaguaribe, com os reservatórios (açudes) do Atalho e Castanhão, no Ceará, para a qual será destinados cerca de 2/3 da água; as bacias do Piranhas e Apodi, onde estão os reservatórios Armando Ribeiro Gonçalves, Santa Cruz e Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte e Engenheiro Ávidos e São Gonçalo, na Paraíba. Um ramal de 110 km. irá atender a 3 sub-bacias do próprio São Francisco (Brígida, Terra Nova e Pajeu), onde se situam dois açudes: Entre Montes e Chapéu, ambos com uma parcela pequena do total aduzido do São Francisco;
- o eixo leste, com capacidade máxima de 28 m3/s, captação no lago da barragem de Itaparica, para atendimento das bacias do Agreste, em Pernambuco, e do Paraiba.
O projeto prevê uma captação mínima e garantida de 26,4 m3/s, sendo 16,4 m3/s para o eixo norte e 10 m3/s no eixo leste, para reforço das águas dos rios receptores, ao longo de todo o ano.
Nas épocas de cheia, com as águas adiconais da represa de Sobradinho sendo vertidas (ou seja, lançadas sem gerar energia) far-se-ia a captação até o máximo (127 m3/s) para alimentar os reservatórios nas bacias receptoras, de tal forma que haveria maior volume de água guardada para o período da seca. Dessa forma seria garantido o suprimento de água, superando os efeitos danosos da seca nas áreas servidas pela rede de distribuição.
Com essa complementação de água para as bacias receptoras seria garantido o consumo humano da população, assim como a dessedentação (isto é, matar a sede) animal, do gado, e haveria ainda água para a produção agrícola, baseada na irrigação, para a aquicultura (principalmente do cultivo de camarões - a carnicicultura) e para o abastecimento de água da região metropolitana de Fortaleza.
Tudo muito simples e objetivo como um projeto de engenharia, como um projeto hídrico. Apesar de algumas complexidades de ordem técnica.
O que o governo apresenta, no entanto, não tem essa clareza. Veste o projeto com outras roupagens, de natureza social, para justificar os gastos.
Comandado pelo marketing político, para o governo o importante não é mostrar o conteúdo, mas a embalagem. Mesmo que a embalagem traga propaganda enganosa.
E com isso amplia as contestações.
As contestações ao empreendimento são de diversas naturezas:
- a hídrica, em função das perdas para a geração de energia, e da redução da vazão do São Francisco na foz, que causaria o avanço do mar, razões apontadas pelos governos de Alagoas e Sergipe, para serem contra o empreendimento;
- a da eficácia técnica, do empreendimento, em função da evaporação da água, ao longo do percurso, o que geraria grandes perdas, ocorrendo o mesmo nos reservatórios, o que caracterizaria uma inviabilidade técnica;
- a econômica, em função do custo do empreendimento e dos retornos privados e públicos e ainda, dos custos adicionais com o valor da água, operação e manutenção da rede de distribuição;
- a institucional, em função da designação do operador do sistema (Chesf) e do valor da água disponibilizada pelo mesmo;
- a ambiental, por conta dos impactos negativos sobre o meio ambiente, pelas mudanças climáticas, desmatamento, erosão e outros;
- a social, porque a água transferida do São Francisco, não chegaria à população carente, com localização difusa, sendo enganosa a afirmação de que atenderia 12 milhões de brasileiros; e
- a mais importante: a das prioridades.
A principal contestação não é ao empreendimento em si, mas a destinação de recursos públicos para o mesmo, quando segundo os críticos "o velho Chico está morrendo" e seria prioritário investir na revitalização do rio e da sua bacia do que promover a transferência de suas águas. Contesta-se a proposição de implantar um sistema de milhares de quilometros, quando a pouca distância do rio, não há água para os moradores.
Essa constestação é complementada pela concentração de recursos que, segundo os críticos, só favoreceria os grandes empreiteiros, ao contrário das obras pulverizadas que seriam realizados em todo o semi-árido.
O projeto é uma coisa. O que é mostrado pelo governo é outra. Os contestadores contestam uma versão que não é real.
Não é apenas um diálogo de surdos, mas uma disputa sobre o imaginário. Mas que tem como fato real, o gasto de bilhões de reais.
Categoria: Engenharia, Urbanismo...
Escrito por Jorge Hori às 07h04
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
"Pontes"
Quem trabalha (e não trabalha) nas pontes?
Antonio Ermirio de Moraes, na sua coluna dominical da Folha de São Paulo (06/01/2008) levanta a questão das pontes, ou seja, dos dias disto úteis emendados entre os feriados, que fazem com que os dias efetivamente trabalhados no ano sejam reduzidos. Segundo a conta do Dr. Antonio, se chegaria a 155 dias sem trabalho no ano.
Para quem? Dr. Antonio é, acima de tudo um industrial e tem empregados celetistas, que recebem por 365 dias e trabalhariam apenas 210 dias. Na indústria máquina parada é perda de produção. Considerando o número de empregados, uma produção menor representa menor produtividade o que pode comprometer a competitividade da empresa e de seus produtos.
Do lado da sua coluna, Clovis Rossi, corrige o ditado espanhol citado anteriormente, enunciando o correto: "nada é verdade ou mentira: tudo depende da cor da lente com que se olha".
Adotando um outra cor da lente, podemos ver algumas contrapartidas dos dias de não trabalho dos empregados que seguem o dito horário normal. Que, pelas estatísticas macro, são minoria.
O dia de maior volume de compras nos shopping centers é no domingo, dia que o "normal" não trabalha e gera empregdos para os vendedores do comércio. Que, segundo o Ministério do Trabalho, foi a profissão, com carteria assinada, que teve maior aumento em 2007. Porque o "normal" está comprando mais e aproveita os dias de não trabalho (também caracterizado como dias do ócio).
Nos dias das pontes, enquanto boa parte do "normal" aproveita para ir para as praias ou montanhas, enfrentando os congestionamentos nas estradas e deixando a cidade de São Paulo aparentemente vazia, o pessoal das outras cidades acorre a ela, e a 25 de março recebe públicos recordes acima de um milhão de pessoas. Fora as que estão na rua José Paulino, no Brás ou mesmo nos shopping centers. Os dias que o comércio popular mais vendem são quando há pontes. E há mais pessoas trabalhando para atender aos que não estão trabalhando.
Os que viajam aumentam a receita das concessionárias das rodoviárias, que precisam colocar mais pessoas trabalhando nos pedágios e no atendimento aos usuários. E esses viajantes vão aumentar a atividades econômica no litoral, uma grande parte informal.
O período que os vendedores da praia mais trabalham é nas temporadas e nas pontes. Rezam para que não chova ou faça mal tempo nas pontes. Sem os 150 dias em que os "normais" não trabalham os praianos não teriam trabalho, nem renda.
O modelo tradicional de pleno emprego, com todos trabalhando nos mesmos períodos e folgando também em iguais períodos, está inteiramente subvertido.
Os trabalhadores querem dividir melhor o tempo entre o trabalho e o não trabalho. No tempo de trabalho auferem renda. No tempo de não trabalho gastam a renda e transferem para terceiros. Uma parte dos trabalhadores trabalha quando os outros não trabalham.
É cada vez maior o número de pessoas que trabalham quando os outros não trabalham. Se todos estivessem trabalhando haveria menos empregos nas cias de aviação, nos hoteis, etc. O turismo é uma das atividades que mais cresce na economia mudial. E é gerada por aqueles que não trabalham (temporaria ou definitivamente).
Uma avaliação setorial e parcial pode mostrar perdas pelo excesso de feriados. Uma avaliação mais macro poderia mostrar vantagens, com melhor distribuição de trabalho e renda. E uma melhor qualidade de vida.
E os "gurus" de administração dizem (ainda que mais baseados em crenças ou fatos isolados do que em fatos generalizados) que com menos intensidade de trabalho, o trabalhador é mais produtivo. Principalmente em atividades criativas, que se tornam predominantes. O ano sabático é uma moda.
Ou seja, dizer que as pontes são ruins para a economia pode ser uma questão de cor da lente. Ou do ângulo em que se vê a questão.
Categoria: Economia, Administração, Empresa
Escrito por Jorge Hori às 06h20
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
Turismo sustetentável
Onde passar as férias?
Uma parte dos paulistanos passou os feriados do final do ano na estrada. Sete horas para descer ao litoral e outras sete para subir.
Há um grande crescimento da frota de veiculos. Os carros novos - em geral - são substituições, mas os "seminovos" são repassados, para aqueles que obtem o seu primeiro carro e querem aproveitar o período para sair pelas estradas (mesmo que não autorizado) gerando mais congestionamentos e maiores acidentes.
A classe média penou nas estradas.
Já os paulistanos mais endinheirados voam para Florianópolis. Nada mais dos balneários no próprio litoral paulista que é deixado para a classe média emergente. O "point" agora (mostrado pela Vejinha São Paulo) é o condomínio Jurerê Internacional na ilha catarinense.
Esse é o novo modelo, em âmbito internacional, e os espanhóis lançaram agora em dezembro, com a presença do casal Antonio Banderas / Melaine Griffith recebendo o casal Lula /Marisa, um megaresort, junto a um imenso condomínio com 35 mil casas, no Rio Grande do Norte (próximo à Natal).
Esperam vender grande parte dos imóveis aos espanhóis e também aos portugueses e italianos (usando Ronaldo ex-fenômeno, como garoto propaganda).
Se der certo, daqui a alguns anos o novo "point" será o Grand Natal Golf" e com a Copa 2014 Natal será invadida pelos europeus.
Uma indagação que ainda não foi feita é: e os chineses? onde irão empreender os seus condomínios de luxo?
O empreendimento dos espanhóis está sendo contestado pelo Ministério Público, pelos riscos ambientais.
Mas, o problema maior seria de natureza social. Que, a reportagem da Folha de São Paulo (05/01/2008, pg. C3) chama atenção numa pequena nota, com a opinião do prof. Francisco Comarú, que fez o seu doutorado sobre Bertioga.
A riqueza atrai a pobreza porque precisa dela para os serviços de construção e depois para os serviços domésticos.
Junto aos condomínios de luxo sempre se instalam os bolsões de pobreza. Com uma população sempre muito superior aos postos de trabalho gerados pelos condomínios.
A rotatividade é alta.
Primeiro chegam e se instalam os operários da construção. Ao longo das obras muitos perdem o emprego, mas não voltam para os seus locais de origem. Permanecem nesses bolsões, vivendo de "bicos" de vendas de produtos ou serviços para os que estão empregados. Há um processo de distribuição de renda, ou melhor, de distribuição da pobreza.
Depois quando os condomínios ficam prontos, há trabalho para caseiros, jardineiros, eletricistas, antenistas, etc, além de sempre das domésticas para a limpeza e, eventualmente, cozinha.
Também sempre com alta rotatividade, ou como trabalhos periódicos. São diaristas que trabalham durante a temporada e ficam o resto do período com atividades de circulação da renda auferida na temporada.
Os bolsões atraem cada vez mais pessoas desempregadas na época da temporada que também depois não vão embora. E a pobreza se dissemina.
E o turismo deixa de ser sustentável.
Não apenas por degradação ambiental, mas por degradação social.
Os casos de violência verificados no litoral, nos condomínios são reflexo de dinâmica social perversa.
Categoria: Desenvolvimento Sustentável
Escrito por Jorge Hori às 08h31
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
| |
|
 |
|