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Inteligência Estratégica - Jorge Hori


Rodada Doha

O que vírá em seguida?

Dentro do que foi antevisto aqui, a Rodada Doha fracassou. E um dos maiores perdedores foi o Brasil, que jogou errado e passou e passará a ser considerado com desconfiança pelos demais paises emergentes e menos desenvolvido.

Celso Amorim, dessa vez, apesar da sua competência, "pisou na bola".

Prevaleceu mais o sentimento da diplomacia do que o da estratégia. Ele foi a Genebra a fim de concluir a Rodada Doha, "doha a quem doher", fazendo as concessões necessárias.

Estava focado nos EUA, em processo eleitoral e desconsiderou que a Índia também está. O erro estava no momento, inoportuno para tentar fechar um acordo multilateral.

Os leitores que não pertencem nem ao setor do agronegócio ou da indústria ainda protegida por tarifas relativamente altas poderão perguntar: "e eu com isso?"

O que a não conclusão da Rodada Doha, afeta o meu negócio, ou a minha vida?

O que mais poderia ser afetado é o seu plano de saúde. Hoje há restrições para a participação estrangeira nos planos de saúde. Como há também para os meios de comunicação, para a aviação civil e outros.

Os acordos embutidos na Rodada Doha prevê uma ampla liberalização do setor de serviços. O Governo estaria acordando em levantar essas restrições. Que, mantidas, seriam caracterizadas com práticas injustas, dando margem a retaliações comerciais.

Não são automáticas, mas que terão que ser adotadas.

Para o usuário poderá ser ou parecer uma vantagem: ter a presença no Brasil de grupos internacionais de medicina de saúde.

O que aconteceria com a mídia com a participação estrangeira? Ficaria melhor?

Se os acordos previstos na Rodada Doha estivessem em vigor, o problema da Varig seria outro. Mas na Argentina, a Aerolineas Argentinas foi assumida por grupos estrangeiros, fracassou, houve transferências de controle, igualmente sem sucesso, até ser de novo reestatizada, com um "apagão" neste final de semana, com milhares de turistas brasileiros "presos" no país vizinho, sem aeronaves para voltar.

A mídia, mais uma vez, voltada à "sociedade do espetáculo" não prestou os devidos serviços públicos. Praticamente em todos os noticiários sobre "o que está em jogo" focou na questão agricola (onde estava o principal impasse) e pouco ou nada disse sobre a liberalização do setor de serviços.

Não esclarece adequadamente o sentido de "segurança alimentar" que tem sido o principal fundamento dos paises desenvolvidos para manter os subsídios. E que foi estendida para a "segurança vestuária", para incorporar o algodão. E agora para a segurança energética, para justificar a proteção ao etanol e aos biocombustíveis.

É em nome da segurança alimentar que os paises desenvolvidos mantém os subsídios, sua produção doméstica e as exportações a preços menores, prejudicando paises menos desenvolvidos na produção dos mesmos produtos. Mas a briga não é com eles, sem expressão, sem proteção e sem liderança. Dependiam de aliados entre os paises emergentes, como Brasil.

A segurança agrícola (para caracterizar o conjunto) decorre da tendência universal de abandono progressivo da produção agrícola, para a produção industrial e de serviços.

Essa é ainda a situação da agricultura na maior parte dos paises subdesenvolvidos e emergentes. A concepção hegemônica é que o pais cresce quando se industrializa, ou desenvolve serviços. As pessoas são estimuladas a sair do campo para "viverem melhor nas cidades, na índustria e nos serviços".

Sem os subsídios o campo ficaria vazio, a produção agrícola decairia, e o país ficaria dependente de importações. Em qualquer turbulência, com a interrrupção dos fluxos, o pais importador poderia ser privado de alimentos. "Fome, nunca mais" é o que sustenta os subsídios. "O resto é conversa mole".

O mundo mudou, a agricultura não é mais o símbolo do atraso, da probreza, da falta de tecnologia. O agronegócio é a transformação da produção primária em uma economia moderna, produtiva e tecnológica. Mas os produtores agrícolas não querem abrir mão dos subsídios, com o qual se acostumaram. E tem poderosa força eleitoral. No Brasil a chamada "bancada ruralista" é a maior dentro do Congresso. Apenas a evangélica era (ou ainda é) a maior.

O Brasil tem uma condição excepcional em relação à segurança alimentar. As importações críticas são apenas do trigo. Tem que cuidar do aumento da produção de arroz e feijão, cujo problema maior era o controle da inflação.

Por essa razão, as salvagurdas para conter eventuais surtos de importação de produtos agrícolas não era uma preocupação maior, como não eram dos seus companheiros do G5 ou do G20.

Mas ai a Índia e a China se deram conta de que eles também precisam cuidar da sua segurança alimentar, diante do exponencial crescimento do seu consumo. O preço do crescimento e melhoria das condições de vida da sua população está na segurança alimentar. Ao perceberem isso, levaram a Rodada Doha a um novo impasse.

Os diplomatas e seus paises terão quer levar em conta essa nova realidade.

Que emergiu com a atual "crise internacional" de aumento mundial dos preços dos alimentos.

E tornou inoportuna a tentativa de conclusão da Rodada Doha.



Categoria: Economia, Administração, Empresa
Escrito por Jorge Hori às 05h12
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Rodada Doha

Por que tentar salvá-la?

O comentário aqui é paradoxal.

Por que dar tanta importância a uma negociação que não tem tanta importância?

Há dois motivos: um é a importância setorial / regional. Outro é "salvar a face dos diplomatas".

A importância setorial / regional é que a maior liberalização do comércio, principalmente a redução ou eliminação de subsídios agrícolas melhora as condições de competitividade de alguns, contra outros.

Os produtores de bens exportáveis querem um jogo menos protegido. Em termos futebolísticos querem uma regra minimize as situações de impedimento, na área. Os importadores querem regras mais amplas e severas de impedimento. Os exportadores querem regras para marcar mais gols. Os importadores, com menos gol.

Um país é sempre exportador e importador. Os seus governos e diplomatas seguem a predominância do jogo de forças.

O Brasil quer melhor condições para exportar, principalmente, commodities. E acha que não precisa de tanta proteção para a sua indústria. Já a Argentina que abriu desmesuradamente a sua economia, promovendo a desindustrialização e agora quer se reindustrializar não.

A Índia passou de uma exportadora de commodities para uma grande exportadora de serviços e importadora de commodities.

A China é uma grande exportadora de produtos industriais, com todos os mecanismos protecionistas ainda existentes nos paises desenvolvidos e agora quer proteger a sua produção agrícola. Os seus representantes vem mudando de posição, reflexo das pressões internas.

No Brasil o setor do agronegócio é pessimista e acha que nada vai mudar. Que a eventual redução do teto de subsídios oferecido pelos norte-americanos não elimina os subsídios para o etanol, ou as restrições à exportação de carnes. O que, eventualmente, poderia ser favorecido nas negociações seria o algodão, cujo peso no Brasil é menos relevante. A posição do Brasil é mais política do que econômica, nesse caso.

O setor industrial acha que está maduro para enfrentar a concorrência estrangeira, com tarifas alfandegârias menores. Pior, mesmo, é a sobrevalorização do real. Já o setor de serviço ainda não entendeu no que as negociações influem no seu setor, a menos de alguns nichos específicos.

O comércio internacional ainda vai bem, apesar do aumento dos preços das commodities. Então, por que e para que mudar as regras agora?

O que os diplomatas alegam é que precisam estabelecer regras para futuras e eventuais crises.

E os teóricos afirmam que uma economia mais liberal é melhor do que uma economia regrada e protegida. Eles querem eliminar a regra do impedimento. Por que acham que com isso o o futebol ficará mais bonito, com mais gols.

E se não mudarem as regras? Fica tudo como está!

O comércio internacional continuará crescendo.

Os diplomatas querem resolver um problema que já está resolvido, para livrar a sua cara. Não querem carregar um fracasso de negociações.

O problema não é mais a liberalização do comércio, mas o combate à pobreza e a defesa ambiental.

A nova pergunta que precisa ser feita é se a liberalização do comércio internacional, como vem sendo discutida na Rodada de Doha reduz (ou não) a pobreza no mundo? E ajuda ou não na redução da emissão de gases do efeito estufa?

A Rodada de Doha caminha para o fracasso e só será lembrada pelos participantes, com alguma inclusão nos livros de história econômica. Porque pouco muda na história da economia mundial. Completando-se ou não.



Categoria: Economia, Administração, Empresa
Escrito por Jorge Hori às 04h49
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Eleições Municipais

A imagem percebida do candidato

Nas eleições democráticas, com a disponibilidade da televisão para a apresentação dos candidatos aos cargos majoritários (Prefeito e Vice-Prefeito, o que valem são os corações, mentes e bolsos dos eleitores. Que são os fatores pessoais e internos que levam ao voto, à escolha do seu candidato diante da urna.

Toda a campanha deve ser voltada para a conquista desses corações e mentes e, como já colocamos, abaixo, a primeira e fundamental condição é a empatia.

Nas capitais,  onde o número de eleitores supera a casa do milhão de eleitores, não há possibilidade de uma relação pessoal direta.

Mas um candidato, com muitos quilometros rodados na politica local, com forte atuação na área social tem um histórico de relações diretas com parte significativa do eleitorado. O que gera uma simpatia ou antipatia pela percepção real.

As candidatas, nesse quesito, parecem levar vantagem, por ter uma imagem diferenciada no meio de tantos candidatos.

Principalmente aquelas que tem um histórico de ação social, atuando como vereadoras e subindo na carreira política, como Jô Moraes (com uma trajetória semelhante a de Luiza Erundina, paraibana como ela), em Belo Horizonte, Manuela D'Ávila, em Porto Alegre e Jandira Feghali no Rio de Janeiro. Não por acaso, todas do PC do B.

Em Porto Alegre, mais duas outras candidatas, todas de esquerda, disputam a eleição, com um bom posicionamento nas pesquisas. Já no Rio de Janeiro, Solange Amaral, com apoio do atual Prefeito, tem um desempenho pior. O que demonstra que não basta ser mulher, para ser vista com maior simpatia pelos eleitores.

O pior é ser visto ou percebido como antipático. Esse é o maior problema de Gilberto Kassab em São Paulo. O que faz com que apesar de ser o Prefeito atual, com uma grande circulação pela cidade, inaugurando obras, fazendo promessas não sai de um patamar de preferência de cerca de 12% dos entrevistados nas pesquisas.

Com um grande tempo na televisão, terá oportunidade de reverter a sua imagem, desde que não erre na Campanha.

Os indícios são de que a sua imagem negativa decorre de uma "subserviência" a Serra. Ser um aliado fiel a Serra, que o levou à Prefeitura, não é percebido como elemento positivo. Serra continua tendo uma boa aceitação. Se o Datafolha ou qualquer outro instituto de pesquisa conjugar o levantamento das preferências para Prefeito com o para Presidente, na cidade de São Paulo, seguramente José Serrá levará uma grande vantagem, sobre todos os demais. Mas se cruzar as informações se verá que grande parte dos eleitores de Serra não indicarão Kassab, como seu preferido.

Será uma indicação de que Serra tem votos, mas não os transfere para Kassab.

O eleitor paulistano parece querer um Prefeito com personalidade própria. Acha importante o relacionamento e o apoio do Governo Federal ou do Governo Estadual. Mas não quer um preposto, um interventor, ou um "capacho": "faço tudo o que o mestre mandar!".

O mesmo problema terá Márcio Lacerda em Belo Horizonte. Ele terá que firmar uma imagem própria, em que os apoios de Fernando Pimentel e Aécio Neves são importantes, mas não pode extrapolar de um limite em que ele pareça um "pau mandado".

O que importa não é o que o candidato é, mas o que ele parece ser. A imagem que ele passa para o eleitor.

Gostemos ou não, será a maior ou menor competência do marketing político na composição da imagem do candidato que irá ser o principal fator de definição das eleições municipais, nas grandes capitais.

A disponibilidade de tempo é importante, mas se não for bem usada, só contribuirá para consolidar a imagem negativa.



Categoria: Politica e Governo
Escrito por Jorge Hori às 06h46
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Rodada Doha

O que está efetivamente em jogo?

A chamada Rodada Doha, que se prolonga há mais de sete anos, é uma negociação multilateral,entre todos os paises integrantes da OMC (Organização Mundial do Comércio) com o objetivo de liberalização do comércio.

No pós-guerra de 1945 todos os paises mantiveram, adotaram ou ampliaram mecanismos protecionistas. Como mecanismo de proteção contra as importações, dentro de uma perspectiva de que protegidas poderiam desenvolver melhor as suas economias internas. Para os que estavam na guerra, recuperar-se. Para os demais crescerem.

Ademais, os paises - principalmente os mais desenvolvidos - adotaram subsídios para determinadas atividades como forma de garantir o suprimento de produtos básicos e fortalecer a produção interna no contexto mundial. Ou seja, ter maior competitividade.

Ao mesmo tempo, formou-se um consenso político de que para o desenvolvimento geral da humanidade, deveria prevalecer o livre comércio. Em princípio, sem proteções tarifárias ou não tarifárias e subsídios. Dentro da perspectiva capitalista e de mercado, o livre comércio era considerado com o justo ("fair practices"). As proteções e subsídios, distorções de mercado passaram a ser consideradas como práticas injustas ("unfair practices").

A partir dai, sucessivamente foram negociadas regras para a liberalização do comércio. Num primeiro momento não se conseguiu institucionalizar o processo, firmando-se apenas um acordo geral  sobre tarifas e comércio (GATT - General Agreement on Tariffs and Trade). As negociações eram longas e caracterizadas como Rodadas, com o nome da cidade ou país inicial das negociações ou do seu principal mentor. Com o final da Rodada Uruguai (1994) chegou-se à constituição da OMC (Organização Mundial do Comércio), logo em seguida (1995). 

Depois do fracasso de Seatlle (1999), em 2001, iniciou-se mais uma rodada em Doha no Catar. Sempre com o objetivo de uma liberalização negociada do comércio exterior.

Algumas mudanças fundamentais ocorreram desde a criação da OMC: a primeira foi um forte expansão do comércio internacional, apesar da permanência de mecanismos protecionistas e subsídios, dentro do que passou a ser chamado de globalização. A outra foi uma atuação mais positiva dos chamados paises emergentes.

Até então, as grandes disputas eram entre os paises desenvolvidos, com os então subdesenvolvidos, atuando como mero coadjuvantes. Até a Rodada Uruguai o Brasil tinha uma pequena participação acatando o que era decidido pelos "big players". A preocupação maior era o de preservar os mecanismos protecionistas.

Já na Rodada Doha a posição dos paises emergentes era de pressionar os paises desenvolvidos, principalmente os EUA e os da União Européia a reduzir os subsídios aos seus produtos agrícolas.

Tais subsídios, criados dentro da doutrina da "segurança alimentar", dificultava a exportação de commodities agrícolas aos paises desenvolvidos, como por exemplo do etanol para os EUA. E facilitava a exportação de commodities dos EUA ou da UE para outros paises, prejudicando paises menos desenvolvidos, como o exemplo do algodão. Prejudicando, principalmente, os produtores africandos e, em menor escala, o Brasil.

A doutrina da "segurança alimentar" se baseia na concepção do "nunca mais passaremos fome", situação enfrentada pelos europeus, durante a segunda guerra. Para isso é preciso manter a produção de alimentos, ainda que subsidiada para que os produtores agrícolas não migrem para outras atividades ou para as cidades. Como a garantia de produção gera excedentes que não podem ser infinitamente estocados, os paises que seguem essa doutrina, exportam os excedentes, com o apoio dos subsídios providos pelos seus governos.

E buscam manter essa política, resistindo em abrir mão dos subsídios.

Os EUA já haviam concordado com a limitação dos seus subsídios, definindo um teto. A pressão era para a redução dos tetos, para a qual os EUA exigiam a contrapartida de abertura dos mercados dos paises em desenvolvimento, na área industrial, nos serviços e uma segurança jurídica maior em relação às patentes.

Os subsídios agrícolas ajudaram a manter a estabilidade monetária mundial, apesar de um aumento generalizado, mas moderado das commodites agrícolas até o ano passado (2007).

E com isso, os EUA nunca precisaram usar todo o teto autorizado para os subsídios. No caso da soja, o Brasil chegou a iniciar um processo contra os EUA, mas desistiu diante do aumento de preços.

Agora, como decorrência da crise imobiliária nos EUA, o preços das commodities subiu vertiginosamente, fazendo desnecessários os subsídios aos produtores. Que, no entanto, é mantida em alguns casos, como do etanol, nos EUA.

Os EUA agora concordam em reduzir um teto teórico de subsídios em troca de reduções tarifárias reais dos paises em desenvolvimento. O Brasil já concordou, em princípio. Os seus companheiros do G20 (grupo dos paises emergentes) ainda resistem. Não querem trocar um custo real por um benefício virtual.

O Brasil está adotando uma posição egoista, abandonando os companheiros. Parece que está ansioso por uma conclusão da Rodada Doha.

Mas cabe perguntar: o que acontece com o comércio internacional, se ela não for concluida?

O que o Brasil perde ou deixa de ganhar?

A suposição de que terá ganhos no comércio internacional é ilusória.

O que não é mostrado são os impactos sobre os serviços e sobre as patentes. Pontos aparentemente menores, mas que podem ter um impacto maior sobre o Brasil.

Se, em relação às commodities a diplomacia e os agentes economicos brasileiros evoluiram, e passaram a dar mais atenção às negociações isso não ocorre com os setores de serviços e às indústrias dependentes de patentes internacionais.

Só vão perceber os impactos reais quando "Inês já estiver morta".

 

 



Categoria: Economia, Administração, Empresa
Escrito por Jorge Hori às 09h46
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Reciclagem

A estratégia do camelô

Com o aumento da consciência social e ambiental os supermercados e outros estabelecimentos com grande público estão instalando estações de coleta de recicláveis. Algumas com sucesso, outras nem tanto.

O principal fator de sucesso ou insucesso está na localização da estação.

Ainda que haja uma maior consciência social e ambiental, raras pessoas vão à estação apenas para levar os seus resíduos recicláveis. Em geral, aproveitam a oportunidade de ir às compras ou mesmo ao trabalho e levam o seu reciclável.

No caso dos supermercados, o consumidor é de maior renda e vai de carro às compras. Para atrair o consumidor a estação de recepção dos recicláveis deve estar visível para quem entra no estacionamento e facilmente acessível para levar as sacolas com o lixo reciclável, já separado.

O maior ou menor sucesso da estação está na logística, visando a maior facilidade operacional para o usuário.

A pergunta básica deve ser: qual é o melhor local para o usuário depositar o seu reciclável?

Uma resposta seria: o da estratégia do camelô. Ou seja, no meio do caminho do transeunte. Atrapalhando o seu andar, para que ele perceba a sua presença.

Num estacionamento de supermercado ou shopping center não pode ser tão radical, mas o conceito é válido.

Devem ser considerados três categorias de supridores de recicláveis:

  • os que trazem em pequenas quantidades, em sacolas e podem retirar do carro e levar na mão até a estação de recepção:
    • para esses o melhor local é na(s) entrada(s) a pé, vindo do estacionamento.
  • os que trazem em quantidades médias e precisam colocar em carrinhos para levar até a estação de recepção:
    • para esses seria conveniente a existência de baias com carinhos que possam ser usados pelos supridores;
    • seriam postos intermediários, onde ficariam os carrinhos levados pelos compradores para levar as suas compras até o seu automóvel;
  • os que trazem em quantidades maiores:
    • eles precisam estacionar junto à estação de recepção para despejar a sua carga;
    • a área próxima deve ser usada apenas para descarga e não para estacionamento.

Em supermercados com estacionamentos pequenos ou médios (até 200 vagas) a estação de recepção pode ser única  no acesso do estacionamento à entrada (que também, em geral é única) da loja.

Nos hipermercados com amplos estacionamentos, podem ser instaladas mais de uma estação de recepção. Nas entradas dos estacionamentos devem ser colocados displays, com a foto da estação e indicação do local, onde estão instaladas. Deverá ser feita uma sinalização, com logos marcantes. No local deve haver uma área de descarga.

Uma alternativa logística é a instalação de baias com carrinhos onde são colocadas as sacolas com material reciclável que seriam levadas por pessoas à estação de reciclagem. Essas pessoas seriam terceirizadas de uma ONG ou cooperativa de catadores.

 

 



Categoria: Desenvolvimento Sustentável
Escrito por Jorge Hori às 05h47
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Eleições Municipais

O que dizem as pequisas?

O Datafolha divulgou uma nova rodada de pesquisas de intenções de votos, incluindo novas capitais.

Uma primeira leitura do conjunto de pesquisas indica alguns elementos significativos, sempre partindo da perspectiva dos eleitores.

  1. Quando os eleitores estão, efetivamente, satisfeitos com a gestão do Prefeito atual, ele dispara na preferência, como é o caso de Beto Richa, em Curitiba, onde seria eleito com 72% dos votos, em primeiro turno.
    • Na avaliação da sua administração 79% dos entrevistados o desempenho de Richa é otimo ou bom (mantendo o alto nível, constado em novembro de 2007) e ele próprio tem uma avaliação média de 7,6 (numa escala entre 0 e 10).
    • Na consulta espontânea ele é lembrado e preferido por 45% dos eleitores, o que inidica um elevado conhecimento e "recall", pela sua aceitação.
    • O eleitorado de Curitiba está satisfeito com a administração de sua cidade e com o seu Prefeito e não quer mudar.
    • A consulta espontânea capta uma primeira e pouco trabalhada reação do entrevistado.
  2. Quando a aceitação não é consenso ou hegemônico, a divisão do eleitorado em relação à administração atual e seu Prefeito, gera situações distintas:
    • em Porto Alegre, o atual prefeito José Fogaça aparece em primeiro lugar, mas com um índice pouco seguro (25%) e com uma avaliação de sua administração apenas como regular (45% dos entrevistados). Para apenas 30% a sua administração é boa ou ótima, e 25% acham ruim ou péssima.
    • Na pesquisa espontânea é lembrado por apenas 12%, com 61% que afirmaram ainda não saber em quem vão votar.
    • A sua liderança decorre da divisão da oposição, com três candidatas de esquerda, que somadas tem 46% da preferência, na pesquisa estimulada.
    • O Datafolha não apresentou os resultados de um eventual segundo turno mas, no momento atual, Fogaça provavelmente perderia para Mária do Rosário ou para Manuela D'Avila.
  3. Em Salvador o atual Prefeito João Henrique em uma avaliação apenas regular, opinião de 46% dos entrevistados. Apenas 16% acham a sua administração boa ou ótima. 35% afirmam que o seu trabalho desenvolvido é ruim e péssimo, um pouco abaixo do índice de rejeição (38%).
    • Ademais ele enfrenta dois candidatos fortes e conhecidos. Imbassahy foi prefeito e derrotado pelo atual na eleição anterior e ACM Neto, além de conhecido taz o nome do avó (o que é marcante, tanto a favor como contra);
    • na pesquisa espontânea o atual Prefeito é lembrado por apenas 7%, menos que Fogaça (12%) e muito abaixo de Beto Richa (45%);
    • Pelos dados atuais, João Henrique não chegará ao segundo turno, por não ter agradado ao eleitor.
  4. Em São Paulo a situação é mais complexa. Gilberto Kassab não consegue sair do patamar médio de 12% e, dificilmente, chegará ao segundo turno.
    • A população não está insatisfeita com a Administração Kassab. 35% dos entrevistados avalia a sua administração como ótima e boa e 37% como regular.
    • Mas entre os satisfeitos, 38% dizem votar em Alckmin e apenas 25% em Kassab. Um pouco acima dos que dizem votar em Marta (22%).
    • Ou seja, estão satisfeitos mas preferem Alckmin à continuidade de Kassab.
    • O seu pior indicador está no voto espontâneo: apenas 7%. Como é o atual Prefeito, a primeira reação do entrevistado não lhe é favorável. O que significa que não tem uma boa imagem, ou nem tem uma imagem, uma identidade forte. A sua dependência a Serra pode ser um fator mais negativo que positivo. Pode ser a "sindrome Pitta".
    • O seu índice de rejeição (31%) é superior aos que consideram a sua administração ruim ou péssima (25%), alcançando, pois, os que a consideram regular.
  5. A relação do eleitor com o candidato é cada vez mais pessoal e não política.
    • dessa forma o primeiro fator é a empatia: simpatia ou antipatia.
    • Kassab não é percebido como simpático. É percebido como antipático.
    • Não se coloca aqui se ele é ou não. Mas como é percebido pelos eleitores.
    • a empatia negativa parece ser o principal fator que faz com que ele fique preso no congestionamento eleitoral, e
    • Uma suposição é que ele é visto como "pau-mandado de Serra", um "laranja", um "preposto", sem identidade própria.
    • É uma situação diferente de Marta. Que tem identidade própria e é apoiada por Lula.
    • Kassab não seria apenas apoiado por Serra, mas um preposto, e o eleitor não quer o intermediário.



Categoria: Politica e Governo
Escrito por Jorge Hori às 08h07
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índice da semana

20 a 26 de julho de 2008

26 de julho de 2008

  • Eleições Municipais - O que dizem as pesquisas?

25 de julho de 2008

  •  Inflação Mundial - O que os capitalistas vão fazer com o dinheiro?

24 de julho de 2008

  • Inovação - Inovações Empresariais

23 de julho de 2008

  •  Trilhos - Agregação de valor ou de custos?

22 de julho de 2008

  • Daniel Dantas - Ainda Dirceu x Gushiken

21 de julho de 2008

  • Justiça - PCCs
  • Justiça - A Justiça Brasileira é elitista?

20 de julho de 2008

  • Brasil Novo - Brasil Novo ou novo Brasil?


Escrito por Jorge Hori às 07h53
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Inflação mundial

O que os capitalistas vão fazer com o seu dinheiro?

Com o arrefecimento da inflação mundial, em função da retração de consumo, os especuladores não podem sustentar os preços artificialmente elevados.

Por incrível que possa parecer, eles jogaram com a incredulidade dos demais investidores e "puxaram" os preços das commodities, iniciando com o petróleo para depois entrar na especulação das commodities alimentícios. Jogando com o suposto consumo de bilhões de chineses, indianos e outras populações pouco conhecidas, mas percebidas pelas macro-estatísticas.

Os mais espertos que puxaram as cotações já sairam ou estão saindo deixando os retardatários com o "mico". Como sempre.

Mesmo no Brasil, quem se aproveitou do "boom" do ano passado se deu bem. Quem entrou em 2008 já está amargando perdas e ainda vai perder mais.

A questão passa ser a seguinte: em que mercados os "mega-especuladores" vão destinar os seus recursos, puxando as cotações?

A inflação das commodities é consequência da crise do mercado imobiliário "sub-prime". Os especuladores sairam desse mercado de migraram para os mercados futuros das commodities.

Esses mega-especuladores, por condição atávica, gostam do jogo. E, para eles não há jogo melhor, que os mercados futuros. Baseia-se em projeções, cenários que dependem da credulidade dos demais. Eles criam as versões, difundem-nas, com a ajuda da mídia e dos "especialistas" e não esperam a realidade comprovar ou não as suas versões. Já poderão estar em outros mercados.

Fica a pergunta: quais serão esses novos mercados, onde possam trabalhar com a incredulidade dos "néo-capitalistas"?



Categoria: Economia, Administração, Empresa
Escrito por Jorge Hori às 09h20
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Inovação

Inovações Empresariais

Quando se levanta o tema inovação, logo se associa à tecnologia, com base científica. Como se toda inovação fosse um I Phone e o inovador um Steve Job. Ou que a inovação depende da academia. Ou ainda de imensos laboratórios e milhares de pesquisadores.

No mercado, a inovação só se efetiva quando é aceita e comprada pelo consumidor. Ele percebe a novidade, aprecia e compra. O volume de compras ou preços mais elevados fazem o sucesso da empresa inovadora. Steve Job é um inovador porque o mercado compra o que ele lança (nem sempre, pois amargou alguns insucessos).

E a novidade pode decorrer de um longo processo de pesquisas, como de uma "boa idéia", de uma percepção, ou de um "click".

O Fábio Bueno Netto, médico de formação e com espírito de desbravador e empreendedor, percebeu nas maquininhas de auto-serviço de refrigerantes ou salgadinhos uma oportunidade de vender livros. Em estações do Metrô. Deu certo e vem ajudando milhares de pessoas a se ilustrarem ou desenvolver o seu espírito, deliciando-se com intressantes ou emocionantes leituras enquanto viajam de metrô. Evidentemente, quando conseguem um lugar sentado.

Foi uma boa idéia. Mas poderia ser a venda de outros produtos. Agora há maquininhas para a venda de bijouterias. Que só tem a idéia econômica, mas não a social.

A idéia do Fábio tinha um fundamento. Ele estava à busca de soluções inovadoras para a educação. Uma preocupação com a melhoria do nível de leitura da população. Não foi apenas a percepção de uma oportunidade de negócios.

Ele faz parte de uma tribo de empreendedores inovadores com visão social. Que é diferente daqueles que tem programas de responsabilidade social. Esses tem as suas atividades empresariais que gerem segundo as regras do mercado, algumas vezes do "capitalismo selvagem". Mas reservam uma parte dos seus lucros, para programas sociais.

Seja como marketing, como forma de "purgar os seus pecados capitalistas" ou até para encobrir atividades escusas.

Uma grande parte dos programas de responsabilidade social está em ações complementar ao que deveriam ser do Estado, para que pessoas sem renda ou com pouca renda possam ter acesso a serviços educacionais, de saúde, de assistência social e outros serviços públicos. Que não estariam ou não estão sendo adequadamente supridos pelo Poder Público.

A elipse feita no acrônimo ONG, ou seja, a supressão de um a letra na sigla OPNG acaba por esconder que elas são organizações públicas, não governamentais.

O outro campo social não é das ONGs, mas das próprias empresas. Com objetivo privado, com objeto de lucros e acumulação de capital. Mas que melhoram de fato a condição de vida de milhares ou milhões de pessoas.

O raciocínio não é social, mas econômico.

A questão da habitação popular pode ilustrar essa diferença de visão.

Há todo um conjunto de pessoas ou famílias de pouca renda que precisam ter uma moradia. Eles resolvem as suas necessidades com soluções próprias, dentro das suas possibilidades financeiras e das condições do mercado.

A maior parte das soluções que emergem na forma de favelas, com casas de tijolos, sem acabamento, é feita dentro dos seus recursos, sem doações. Soluções consideradas inadequadas pela sociedade organizada, voltada para soluções mais ordenadas.

A visão social parte de uma solução técnica da classe média, buscando barater o custo da produção, ampliar os prazos de financiamento e complementar com subsídios. Envolvendo uma pesada máquina administrativa - como o da Caixa Econômica Federal - cujo custo de cobrança de um boleto é às vezes maior que o valor cobrado.

A visão econômica é propiciar a essas famílias de pouca renda, o acesso a preços menores dos materiais de construção, para que dentro da suas tecnologias próprias possam construir, reformar ou ampliar as suas moradias.

Inovar não é buscar soluções alternativas para empurrar os mesmos produtos tradicionais. Inovar é ajudar os de pouca renda a resolver melhor - dentro das suas circunstâncias - as suas necessidades.

Esse é o desafio permanente para o empresário inovador, com visão social. Propiciar para os consumidores o acesso a bens e serviços básicos, dentro das regras do mercado. Como atividade econômica, mas que resulta em melhoria social.

O que e como fazer?



Categoria: Economia, Administração, Empresa
Escrito por Jorge Hori às 06h53
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Trilhos

Agregação de valor ou de custos?

A reportagem da Folha de São Paulo de segunda feira (21/07/2008) sobre a exportação de minério de ferro e a importação de trilhos traz à tona, novamente, a questão da dificuldade do país em agregar valor aos seus recursos naturais.

Há, nesse caso, uma questão mais geral e outra específica.

A geral decorre de um equívoco estratégico, ocorrido nos anos oitenta, por conta de erros de percepção e de preconceitos que levaram o Brasil a perder a grande oportunidade de ser um grande "player" siderúrgico mundial.

O erro de percepção foi acreditar em Alvin Toffler. Ele, com o prestígio da Terceira Onda, veio ao Brasil repetir o que já havia escrito que o país não deveria continuar investindo num produto obsoleto e condenado à extinção (o aço) e deveria se concentrar em produtos de alta tecnologia. Ai deixou de fazer o que sabia fazer e não não conseguir fazer o que não sabia.

A produção mundial do aço, naquela ocasião, estava estagnada há algum tempo, mas porque o Japão e a Coreia do Sul estavam investindo em novas capacidades, enquanto os EUA viam a sua produção cair paulatinamento, por falta de competitividade. Toffler deu ao Brasil o remédio norte-americano e nós aceitamos, porque vamos sempre atrás dos gurus.

E nessa ocasião, a China vinha investindo e crescendo a sua indústria siderúrgica, mas não entrava nas estatísticas mundiais. Por falta de credibilidade das informações. Infelizmente. Pois ai se veria que, ao contrário do que diziam as estatísticas, a produção mundial de aço vinha crescendo, com a participação da China.

O Brasil não acreditou no crescimento do aço e parou de investir.

O preconceito era contra a expansão siderúrgica, considerada um "entulho autoritário", uma megalomania dos militares que queiram um Brasil Grande, um Brasil Primeiro Mundo. E teriam endividado o país.

Sarney, Itamar e FHC buscaram livrar o Estado desse encargo e fizeram a privatização errada. Em vez de reforçar a SIDERBRÁS a fatiaram porque achavam que era mais fácil vender e para assegurar uma concorrência interna.

O que prevaleceu foi o "complexo de vira-lata" que via na SIDERBRAS um monstro, um gigante, um dinossauro, quando era um grupo médio, no contexto mundial. O foco era o mercado interno, e não o mercado mundial.

O que se viu na sequência foi a emergência da siderurgia chinesa, e dos indianos. Esse, não como produção indiana, mas como empresários que se tornaram o maior grupo siderúrgico mundial (Mittal), comprando as decadentes empresas ocidentais.

Na ocasião, quando ainda atuava no setor siderúrgico, a minha proposta de que a SIDERBRAS deveria ser compradora e não vendedora, nem foi considerada. Era contra a ideologia do momento.

O país pouco investiu na expansão da sua capacidade produtiva siderúrgica. Pouco, comparado com o que a China fez. Modernizou-se e reduziu as suas linhas de produção, entre elas a de trilhos. Porque o mercado interno ficou estagnado.

Com uma capacidade produtiva limitada optou por produtos de maior valor agregado, tanto para o mercado interno, como para o externo. Por aqueles que tinham maiores margens.

Dessa forma, a contrário do que diz a reportagem da Folha, a siderurgia brasileira agrega valor ao seu minério de ferro, em produtos que geram maiores margens do que os trilhos.

Ou seja, usam a sua capacidade de produção de aço para produzir e vender laminados que rendem mais que a produção dos trilhos.

Para produzir os trilhos precisariam deixar de produzir chapas finas, galvanizados e outros, com maior agregação de valor e de margens.

Evidentemente, poderiam aumentar a sua produção para poder fabricar trilhos. Mas o problema não está apenas nos trilhos. Está no aumento da capacidade de produção do aço. O que requer investimentos de bilhões. Que não serão feitos apenas para atender ao mercado de trilhos.

A questão não está em minério de ferro x trilhos. E a suposta diferença de US$ 700 por tonelada. Está na exportação de tarugos ou placas x trilhos. Existe uma capacidade de produção de aço ao qual poderia ser agregado um valor, com a produção de trilhos em vez da sua venda como semi-acabado.

Para isso é preciso agregar custos. Sem uma produção em grande escala a agregação de custos pode ser maior que a agregação da valor. Que pode ser maior que os custos de fretes a grandes distâncias.

O Brasil retomou os investimentos no aumento da capacidade produtiva de aço. A produção de trilhos será uma consequencia inevitável. Porque passará a ser um bom negócio. Até agora não era.

 

 



Categoria: Economia, Administração, Empresa
Escrito por Jorge Hori às 05h56
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